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23/07/2024Nódulo em parótida: quando operar?
Parótida é um órgão localizado na região bem à frente da orelha. É uma glândula que produz saliva para ajudar na digestão de alimentos, principalmente carboidratos. Além de lubrificar a boca e garganta para diminuir as chances de nos engasgarmos ao engolir um alimento mais seco.

Fonte: https://my.clevelandclinic.org/health/body/23462-salivary-glands
Pode acontecer a formação de nodulações na parótida em qualquer idade, entretanto é mais comum entre 30-50 anos.
Cerca de 80-90% dos nódulos de parótida são benignos e crescem muito lentamente, demorando anos e até mesmo décadas para dobrar de tamanho.
Apesar de a grande maioria dos casos se tratar de nódulos benignos, é indicada cirurgia em muitos casos. Isso porque alguns tumores ou nódulos benignos de parótida podem crescer ou até mesmo se transformar em malignos com o passar dos anos.
Os subtipos principais de tumores/nódulos de parótida são:
1- Linfonodos intraparotídeos:
A parótida pode apresentar aumento de gânglios linfáticos ao seu redor ou no interior, causando dor local e diminuição com o passar dos dias. Costumam crescer em decorrência de algum processo infeccioso ou inflamatório na boca e rosto, como por exemplo uma infecção de garganta, sinusite, algum machucado na boca ou até mesmo pela retirada de barba.
É extremamente raro indicar cirurgia para casos de linfonodos intraparotídeos. Reduzem ou até mesmo somem em até quatro semanas.
2- Tumor de Warthin
Também conhecido como cisto adenoma papilar linfomatoso, é um tumor benigno que costuma crescer lentamente, não se transforma em maligno e não causa dor.
Em seu interior costuma apresentar um líquido viscoso envolvido por uma cápsula espessada. Em sua maioria aparece na região mais inferior da parótida nas proximidades da mandíbula.
Existe uma chance de até 50% de ocorrer tumor de Warthin apresentar-se dos dois lados, ou seja, ambas as parótidas apresentarem tumor ou surgir um novo do outro lado após anos de ser operado.
A ocorrência de tumor de Warthin em pacientes que ingerem bebida alcoólica cronicamente é maior do que nas pessoas que não consomem.
A cirurgia é o tratamento de escolha nesse tipo de tumor de parótida. Apesar de não se transformar em maligno, existe uma chance de crescimento com o passar dos anos, causando incômodo tanto estético quanto ao mastigar. Como é um tumor que surge na maioria dos casos por volta dos 45 anos, o paciente acaba operando com o passar dos anos.
3- Adenoma Pleomórfico
O mais comum tumor de parótida é o Adenoma Pleomórfico. Trata-se de um tumor benigno com crescimento lento. É indolor na maioria dos pacientes.
É um nódulo endurecido, móvel, mais comumente encontrado na porção mais superficial da parótida nas proximidades da mandíbula.
Existe uma chance de transformação do adenoma pleomórfico em maligno, o chamado carcinoma ex-adenoma pleomórfico.
Devido ao seu risco de transformação para maligno e de crescimento com o passar dos anos, é comum indicar-se o tratamento com cirurgia.

Adenoma pleomórfico em parótida direita.
4- Linfoma
O linfoma é um câncer de origem nos gânglios linfáticos no corpo. Podendo ser diagnosticado com o aumento de gânglios em qualquer parte do nosso corpo, associado a sintomas como fraqueza, febre, perda de peso e anemia.
Em todos nós existem, ao redor e no interior da parótida, gânglios linfáticos que nos protegem contra infecções. São parte importante de nosso sistema imunológico.
O crescimento de linfonodos malignos na parótida pode estar associado com linfoma. Por esse motivo todo aumento de linfonodo que regrida em até 2-4 semanas deve ser investigado.
O tratamento não envolve cirurgia na grande maioria dos casos, mas sim tratamento com medicações quimioterápicas.
5- Ex-adenoma Pleomórfico
O adenoma pleomórfico, citado anteriormente, pode transformar-se em um câncer agressivo chamado Carcinoma ex-Adenoma Pleomórfico. O tratamento é cirúrgico com a remoção total do tumor com margem de segurança oncológica e radioterapia no pós-operatório na maioria dos casos.
É um tumor maligno que pode gerar metástase para outros órgãos, principalmente para o pulmão. E tem pouca resposta à quimioterapia.
Apresentam uma alta taxa de recidiva de doença mesmo quando tratados de forma correta com cirurgia e radioterapia após.
6- Carcinoma mucoepidermóide
É o tumor maligno mais comum que nasce na parótida. Apresenta-se como os demais tumores benignos de parótida. É muito difícil diferenciar um carcinoma mucoepidermoide de um adenoma pleomórfico nos exames de imagem. Em sua maioria só diagnosticamos quando retiramos ele por completo e analisamos por completo.
Existem três subtipos desse tumor maligno. O de baixo grau, o de grau intermediário e o de alto grau. Cada um desses evolui de uma forma diferente. Sendo o de alto grau associado a metástases para gânglios linfáticos do pescoço e para outros órgãos como o pulmão.

Tomografia mostrando um carcinoma mucoepidermoide de alto grau em parótida (A) e com metástase para linfonodo cervical (B) Fonte: Fujioka, H., Koike, T., Imamura, T. et al. Mucoepidermoid carcinoma of parotid gland and membranous nephropathy – differentiation between sclerosing mucoepidermoid carcinoma with eosinophilia and Kimura’s disease. BMC Nephrol 21, 369 (2020). https://doi.org/10.1186/s12882-020-02030-1
Os tumores de baixo grau são considerados ainda como malignos, entretanto não costumam necessitar de complementação de radioterapia após a cirurgia. Enquanto os de alto grau recebem doses de radioterapia na região da parótida e do pescoço após o tratamento cirúrgico.




