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27/09/2024Paratireoides: o que são e para que servem?
As paratireoides são glândulas que se localizam no pescoço principalmente atrás da tireoide. Responsáveis pelo metabolismo do cálcio em nosso corpo. Gerando hormônio chamado paratormônio ou PTH, as paratireoides controlam o cálcio que entra e sai dos ossos.
Quando funcionam normalmente, as paratireoides, fazem com que nossos níveis de cálcio no sangue sejam normais, levando a um equilíbrio entre o cálcio, vitamina D e fósforo.
A maioria das pessoas apresentam um número de 4 paratireoides, porém existem muitas variações como pessoas que têm apenas 1 par ou até mesmo 8 paratireoides.
Normalmente são glândulas bem pequenas, medindo menos do que 1 cm e alojadas grudadas à porção mais posterior da tireoide próximo ao nervo laríngeo recorrente (nervo este que controla a movimentação da laringe e cordas vocais).

Fonte: Mannstadt, M., Bilezikian, J., Thakker, R. et al. Hypoparathyroidism. Nat Rev Dis Primers 3, 17055 (2017). https://doi.org/10.1038/nrdp.2017.55
É muito importante consumirmos cálcio todos os dias, porém apenas uma parte do que ingerimos de cálcio servirá para fortalecer e formar nossos ossos. Isso porque a maior parte do cálcio irá passar pelo intestino e não ser absorvido para o sangue. Cerca de 10-35% do que ingerimos irá para corrente sanguínea e o restante para o intestino. É um sistema de proteção de nosso organismo para não termos intoxicação por cálcio que inclusive pode ser fatal.
Para realizar este controle, nosso corpo usa as paratireoides para produzirem o PTH que irá estimular nosso corpo a aumentar a saída de cálcio no sangue para os rins e eliminar pela urina. Assim reduzindo a quantidade de cálcio que fica livre no sangue e poderia produzir problemas sérios.
Ou seja, quanto mais as paratireoides funcionam, mais cálcio é jogado dentro do sangue, mais cálcio é misturado a urina e mais os ossos são estimulados a quebrar as suas moléculas e liberar cálcio no sangue.
Quantidades grandes de cálcio livre no sangue podem produzir sintomas graves como por exemplo:
- Lentificação do sistema nervoso.
- Constipação, fezes ressecadas e dificuldade para evacuar.
- Formação de cristais e pedras nos rins.
Enquanto que doses baixas de cálcio no sangue fazem o efeito contrário:
- Rigidez muscular, sensação de mãos e pés travados, câimbras.
- Crises de epilepsia.

As doses de cálcio no sangue variam o dia inteiro de acordo com nossa alimentação, exposição ao sol, condição nutricional e atividades diárias. Nosso organismo apresenta um sistema muito sensível às doses de cálcio e esse sistema é regido pelo PTH sanguíneo.

Nódulo de tireoide com margens irregulares Fonte: https://www.acr.org/-/media/ACR/Files/RADS/TI-RADS/ACR-TI-RADS-Atlas.pdf
Doses entre 8,8-10,4 mg/dL são normais e bem toleradas pelo nosso organismo.
Entretanto, quando ocorre uma queda de cerca de 30% alcançando as proximidades de 6 mg/dL, as células do corpo começam ser hiper excitadas, A alta taxa de atividade dos neurônios em níveis patológicos e perigosos. O paciente tem dificuldade de concentração e inicia quadros de câimbras musculares.
Níveis entre 12-15 mg/dL levam ao efeito contrário, o cérebro começa a ficar lentificado, o paciente apresenta confusão mental e espasmos musculares e o paciente apresenta tremores nas mãos e pés.
Enquanto que níveis muito baixos (abaixo de 4 mg/dl) muito altos (>14 mg/dL) comprometem a integridade do organismo e podem levar ao óbito.
Portanto, fazer uma regulagem correta e detalhada é um trabalho que ocorre a cada minuto pelas paratireoides.
O mau funcionamento das paratireoides pode ocorrer em algumas doenças. Entre essas doenças, podemos citar as condições que geram hiperparatireoidismo, ou seja, onde ocorre uma produção excessiva de PTH ou de hipoparatireoidismo o qual ocorre a baixa de paratormônio no sangue.
Hipertireoidismo:
- Adenoma de paratireoide:
Algumas células da paratireoide podem produzir uma quantidade excessiva de PTH levando a aumento da concentração dessas no sangue. Dar-se o nome de hiperparatireoidismo primário, ou seja, a própria paratireoide é responsável por uma hiperfunção de suas células levando a eliminação de muito hormônio PTH na corrente sanguínea, o que ocasiona liberação de altas taxas de cálcio no sangue e na urina.

Fonte: https://www.medpagetoday.com/endocrinology/thyroid/92907
Os adenomas de paratireoide nada mais são do que paratireoides aumentadas. A maioria dos pacientes diagnostica quando fazem exames de sangue e notam altas taxas de cálcio sérico ou quando fazemos ultrassom de pescoço. Portanto, a maioria dos adenomas de paratireoides não causam sintomas nos pacientes.
Alguns pacientes podem vir a desenvolver osteoporose e pedras nos rins depois de meses/anos com os adenomas funcionantes de paratireoide.
A realização de exames localizatórios é mandatório para saber qual paratireoide está funcionando de forma errada. Entre esses exames temos a cintilografia com sestamibi, ultrassom, tomografias computadorizadas, ressonâncias e tomografias 4D.
A indicação de cirurgia é realizada na maioria dos casos. Sendo a cirurgia um procedimento seguro e eficaz.
- Câncer de paratireoide (tumores malignos de paratireoide):
Os tumores malignos de paratireoide são extremamente raros, costumam cursar com crescimento rápido da(s) paratireoide(s). Levando a níveis altos de cálcio no sangue e levando o paciente a internação devido complicações pelo índice de cálcio aumentado.
A cirurgia pode ser utilizada como tratamento, porém o controle adequado do cálcio é necessário antes de se pensar em operar o paciente.
- Deficiência de vitamina D:
A causa mais comum de aumento do PTH no sangue é a baixa de vitamina D. Pessoas com baixo consumo de peixes, gema de ovo, frutos do mar costumam ter índices baixo de vitamina D no sangue. Além de pessoas que não se expõem ao sol, levando a aumentos de PTH no sangue o que confunde muitos médicos que acreditam que estão de frente com um paciente com hiperparatireoidismo ocasionado por adenomas. Mas na realidade ocorre por falta de vitamina, em que ao repor corretamente o paciente consegue resolver sem necessidade de cirurgia.




