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10/04/2023Câncer de intestino: Como diagnosticar e como prevenir
O intestino mais comumente afetado por tumores é o intestino grosso. Essa divisão é anatômica, porém representa muito a função do trato digestivo.
O intestino delgado (ou intestino fino) é responsável por processar e absorver os nutrientes dos alimentos que comemos diariamente, como vitaminas, açúcares (carboidratos), gorduras, proteínas animais e vegetais, entre outras substâncias. Este, anatomicamente, é composto por metros de extensão (cerca de 5 - 7 metros).
O intestino grosso, ou também chamado de cólon, é responsável pela absorção da água e formação das fezes. Começa ao término do intestino delgado do lado direito do abdome, ou também chamado cólon direito (onde localiza-se o ceco e o apêndice cecal), é o local onde mais ocorre a absorção de água. O cólon transverso é logo após o direito e localiza-se abaixo do fígado e do estômago fazendo uma moldura superior no abdome, este já começa a formar o bolo fecal propriamente dito, criando consistência das fezes durante sua absorção de água. Enquanto que o cólon esquerdo é responsável por receber e moldar as fezes para dar empurrá-la à sua etapa final. Ao final dessa tubulação, tem-se o sigmoide e o reto, locais onde o organismo irá absorver mais ainda água para que assim não tenhamos fezes líquidas como ocorre nas diarreias.

Os fatores de riscos para esses tipos de tumores são principalmente o consumo excessivo de carnes vermelhas, enlatados, embutidos e alimentos ultraprocessados, como fast food. A obesidade tem-se mostrado um fator importante também, porque causa um processo crônico de inflamação no organismo do paciente, levando a formação de tumores do trato digestivo. A presença da ocorrência de tumores em membros de primeiro grau na família também aumenta as chances de formação desse tipo de tumores. O tabagismo e etilismo estão entre os principais agentes associados. Ocorrendo principalmente em pacientes com idade superior a 50 anos.

Fonte: Dekker E, Tanis PJ, Vleugels JLA, Kasi PM, Wallace MB. Colorectal cancer. Lancet. 2019 Oct 19;394(10207):1467-1480. doi: 10.1016/S0140-6736(19)32319-0. PMID: 31631858).
Os segmentos do cólon são os mais acometidos por tumores. Em especial o cólon direito e o sigmóide. O câncer de cólon é a quarta causa de morte por tumores malignos no mundo. Em 2019 o pesquisador Dekker e colaboradoras publicaram um estudo em uma das revistas científicas de maior impacto no mundo e afirmou e sua revisão que, chegam a ser 900.000 mortes por câncer de cólon no mundo anualmente e que temos perspectivas estatísticas que cheguem a ser de 2 à 5 milhões de novos casos até 2035 (Dekker E, Tanis PJ, Vleugels JLA, Kasi PM, Wallace MB. Colorectal cancer. Lancet. 2019 Oct 19;394(10207):1467-1480. doi: 10.1016/S0140-6736(19)32319-0. PMID: 31631858).
Esses dados são alarmantes principalmente porque os tumores de cólon podem ser diagnosticados precocemente com auxílio de métodos endoscópicos. A colonoscopia é a principal arma na prevenção desse tipo de tumor. Este exame é feito por um médico endoscopista e com auxílio de sedação. O intestino grosso e o final do delgado são avaliados por completo, como uma varredura atrás de lesões, mesmo que tenham milímetros de tamanho, bem como possibilitam a realização de pequenos procedimentos por dentro do intestino, como a retirada de pólipos e de tumores malignos iniciais. Por este motivo é necessário o preparo intestinal adequado com uso de laxantes e de “lavagens” intestinais, para que não haja dificuldades para o diagnóstico de lesões pequenas.
Pólipo em cólon

Fonte: acervo pessoal
Após a retirada do pólipo por colonoscopia

Fonte: acervo pessoal
Os protocolos internacionais de prevenção para tumores colorretais não são ainda unânimes quanto a idade que precisamos iniciar a pesquisa com colonoscopia. Alguns estudos científicos falam de iniciar aos 45 anos e outros aos 55 anos. Caso o paciente tenha algum familiar de primeiro grau, alguma doença hereditária que aumenta a chance de tumor colorretal, orienta-se iniciar a partir dos 45 anos. A realização do exame costuma ter intervalo entre 2 ou 3 anos, a depender dos fatores de risco envolvidos pelo paciente.
Portanto, é muito importante que todos façam o screening para tumores colorretais a partir dos 55 anos ou antes, aos 45 anos quando casos na família ou fatores de riscos. Consulte o seu médico e pergunte sobre realização de colonoscopia e em caso de tumores, procure um cirurgião oncológico.




