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15/12/2023Existe câncer benigno? Entenda as diferenças entre os tumores.
O paciente que está passando por um tratamento de câncer costuma perguntar se o tumor é benigno ou maligno. Tumores podem ser benignos ou malignos e o câncer está no grupo dos tumores malignos. Portanto, não existe câncer benigno. Portanto, todo câncer é um tumor maligno, entretanto nem todo tumor é um câncer.
Entre os tumores benignos estão as verrugas simples em pele, miomas uterinos, cistos simples de ovário, massas originadas de endometriose, nódulos pulmonares benignos, alguns pólipos em intestino, cistos em e alguns nódulos de tireoide, entre outros. Na maioria das vezes, indica-se remoção cirúrgica caso ocorra repercussão estética e/ou funcional para o paciente ou até mesmo quando houver uma chance de tornar-se maligno.
Por outro lado, tumores com crescimento desorganizado de células, tem a maior chance de não serem do "bem". Os tumores malignos, cânceres, são caracterizados por crescimento acelerado, invasão de outros órgãos, chance de células tumorais invadirem a corrente sanguínea e/ou linfática e caírem em outros órgãos (metástases). Eles podem crescer de forma diferente, depende do órgão que se encontra e do paciente que é portador. As células podem crescer mais rápido ou mais devagar. Existem cânceres que demoram anos para crescer e dar metástase como alguns microcarcinomas papilífero de tireoide e alguns tumores neuroendócrinos do pâncreas, enquanto outros podem crescer em questão de dias.
A forma como os tumores crescem e transformam-se em câncer são muitos. Alguns tumores já “nascem” como malignos, outros ocorre a transformação das células em “cancerígenas” e podem nunca se transformar e persistir como benignos até o final da vida do paciente.
Mas como ocorre esse processo de formação dos tumores malignos?
Esse é um assunto ainda muito estudado, quando tivermos a resposta completa, estaremos diante da cura para o câncer. Portanto o que temos hoje é o fato de existem fatores genéticos, ou herança familiar e fatores ambientais, ou seja, o que fazemos e nos expomos nosso corpo durante nossa vida.
Os fatores genéticos estão relacionados com os genes que herdamos de nossos familiares. Por esse motivo existem famílias com história de múltiplos cânceres com linhagem parecida. O que ocorre em síndromes genéticas como a síndrome de Lynch e Li-Fraumeni que causam um aumento gigantismo na chance de tumores em diversos membros de uma família, ocorrendo por exemplo história de múltiplas irmãs com câncer de mama.
Por esse motivo, o médico que trabalha com câncer pergunta sobre história de câncer na família. Essa pesquisa é muito importante, pois em caso de suspeita de síndrome genética que deve ser investigada mais a fundo com um médico geneticista. O que pode prevenir o câncer após diagnóstico genético correto.
Mas não é apenas por fatores genéticos que nasce um tumor maligno. A maior influência que o câncer tem na população em geral são os fatores ambientais. Toda vez que nos expomos a fatores de risco, podemos estar aumentando a chance do aparecimento de um câncer
Câncer de pulmão, boca, garganta e laringe estão muito relacionados ao hábito de fumar (inclusive cigarro eletrônico), mas é claro que existem casos desses cânceres em pacientes não tabagista, nestes casos, costumam ocorrer em pacientes mais jovens e com fatores genéticos que não conhecemos ainda.
O câncer de mama está ligado diretamente a fatores hormonais e ao tabagismo. Portanto pacientes que fazem reposição hormonal pós menopausa apresentam um risco maior. Mas isso não quer dizer que não devemos fazer reposição hormonal. Ao contrário, quando bem indicada, a reposição hormonal no pós menopausa é muito importante para a mulher, entretanto, deve ser feito com um especialista em saúde da mulher para que sejam feitos exames para acompanhamento.
Tumores malignos de estômago estão relacionados a consumo exagerado de sal, à úlceras gástricas e duodenais, à bactéria H. Pylori, tabagismo e etilismo, entre outras. Existem fatores genéticos importantes em tumores gástricos, principalmente em países orientais como japão e coréia do sul.
O câncer de esôfago está muito relacionado à obesidade, consumo de tabaco e bebida alcoólica em excesso e nos últimos 20 anos à doença do refluxo gastro esofágico. O esôfago é um órgão que é bastante agredido pelo que consumimos de alimento. Quando o paciente tem doença do refluxo não tratada durante anos, ocorre a inflamação do esôfago mais próximo do estômago, a chamada esofagite, o que durante as décadas de doença pode causar a transformação das células inflamadas do esôfago em células tumorais malignas.
O câncer de orofaringe (garganta) está relacionado ao cigarro e bebida alcoólica, todavia, nos últimos 20 anos está ocorrendo um processo de aumento de câncer em pacientes que não consomem álcool e bebida alcoólica. São pacientes que apresentam infecção crônica do vírus papiloma humano (HPV).
O câncer de nasofaringe (região atrás do nariz) está relacionado ao vírus Epstein - Barr e ao contato com poeira de madeira e inseticidas.
Por esse motivo é importante os tumores serem tratados por um especialista em oncologia, pois ele poderá avaliar com maior precisão e assim proporcionar menores danos à qualidade de vida do paciente.
No enfrentamento do câncer, lembre-se: você é a parte mais importante no processo de tratamento.




