
Perguntas e respostas sobre cirurgia de tireoide
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05/06/2023O que é tumor de glândula parótida
Tumores de glândula parótida:
A glândula parótida é responsável por parte da produção de saliva. Fica localizada na região a frente da orelha nas proximidades da região responsável pela mastigação (articulação temporomandibular, músculos da mastigação e mandíbula).
Índice
- Quais são as glândulas salivares?
- Qual a importância da saliva?
- Todos os tumores de parótida são malignos?
- Quais os sintomas de tumores em parótida?
- Como é feito o diagnóstico de tumor em parótida?
- Quais os riscos de uma cirurgia para retirada de tumor em parótida?
- A produção de saliva fica prejudicada após a cirurgia?
- Recuperação no pós operatório.
- Preciso fazer radioterapia após a cirurgia?

1- Quais são as glândulas salivares?
Existem três tipos de glândula salivares maiores em nosso corpo:
- Parótidas;
- Submandibulares;
- Sublinguais.

Além delas, também encontramos glândulas salivares pequenas em centenas em nossa boca que auxiliam na produção da saliva diariamente. Chamamos estas de “glândulas salivares menores”.
2- Qual a importância da saliva?
A produção da saliva é importante para nosso corpo, pois auxilia na lubrificação da boca facilitando-nos engolir os alimentos, bem como o início da digestão de alguns alimentos como o amido (encontrados por exemplo nas batatas). Existe inclusive uma função especial de proteção da boca de germes que possam prejudicar nosso organismo, isso ocorre a partir da produção de imunoglobulinas que impedem a proliferação de bactérias danosas para nosso organismo e preservam as bactérias boas que nos ajudam no dia dia.
3- Todos os tumores de parótida são malignos?
Os tumores de parótida representam apenas 3% do total de tumores localizados na região da cabeça e pescoço. A maioria dos tumores que aparecem nesta glândula são de natureza benigna (80% dos casos).
Fonte: Mantsopoulos K, Iro H. Pleomorphic adenoma compared with cystadenolymphoma of the parotid gland: which is more common? Br J Oral Maxillofac Surg. 2020 Apr;58(3):361-363. doi: 10.1016/j.bjoms.2019.12.014. Epub 2020 Jan 21. PMID: 31980273.
4- Quais os sintomas de tumores em parótida?
A maioria dos tumores menores de 1cm não causam sintoma nenhum. Enquanto que tumores maiores podem causar sensação de “bolinha” na região da face. Raro causarem dor local. Comum crescerem de forma lenta, demorando anos para dobrar de tamanho quando benignos.
Tumores mais avançados ou de característica maligna podem apresentar aumento rápido em questão de meses, dor local e até mesmo paralisia facial.

5- Como é feito o diagnóstico de tumor em parótida?
Quando menores que 1cm, estes tumores podem ser imperceptíveis ao exame físico, principalmente se estiverem localizados mais profundamente na glândula. Com auxílio de exame simples de ultrassonografia feito por um médico especialista consegue-se diagnosticar na grande maioria dos casos.
A ultrassonografia de parótida consegue avaliar o tamanho, a região da glândula que o tumor está, bem como as características do tumor, as estruturas que estão em contato com ele e se existe alguma outra lesão na região do pescoço.
A punção por agulha fina (PAAF) pode ser feita em alguns casos em que o médico julgar necessário e estiver com dúvida diagnóstica. Na maioria dos casos, não é realizada a punção (biópsia) quando os tumores são maiores que 2-3 cm, pois mesmo que a biópsia venha com resultado inconclusivo ou benigno e a história clínica, exame físico e ultrassonográfico for sugestivo de tumor, a cirurgia estará indicada. Isso porque existe uma chance de malignização.

6- Quais os riscos de uma cirurgia para retirada de tumor em parótida?
Qualquer tipo de cirurgia é acompanhada de riscos. O cirurgião necessita pesar riscos e benefícios quando se depara com casos de tumores de parótida e discuti-los abertamente com o paciente e seus familiares. Atualmente temos vários instrumentos que nos auxiliam na cirurgia segura para tumores desta região. Uma delas é a utilização de monitores de nervo facial. Quando utilizada, a monitorização intraoperatória ajuda o cirurgião na identificação e avaliação da funcionalidade do nervo facial.
Este nervo é relevante no procedimento de retirada de tumores em parótida pois passa no meio da glândula e controla os movimentos dos músculos do rosto, permitindo a mímica e expressão facial como abertura das pálpebra, fechamento da boca, alinhamento do lábio, o ato de franzir a testa e assim por diante. Um cirurgião com formação em cirurgia de cabeça e pescoço consegue de forma eficaz lidar com o nervo e seus ramos.
Sangramentos, hematomas e transfusões são raros nestes procedimentos e a sua revisão sistemática é parte indispensável do procedimento intraoperatório.
O uso de drenos podem ser necessários a depender do tamanho do tumor retirado e costumam ser indolores.
Diminuição da sensibilidade na região em frente da orelha é algo que pode ocorrer em alguns casos devido a manipulação da região e da cicatriz cirúrgica, retornando na grande maioria dos casos em até 8-12 semanas.
A infecção de ferida é muito rara, está relacionada a casos de tumores mais volumosos, inflamação local e falta de cuidados com curativos.
A cicatriz fica na região logo a frente da orelha e prolonga-se um pouco próximo a linha do cabelo proporcionando uma cicatriz final pouco perceptível. Devendo-se lembrar que o tamanho do tumor, cuidado com a ferida operatória e a tendência do paciente à formação de cicatriz hipertrófica ou queloide também contribuem para o resultado final

Fonte: Zhang J, Jiang Q, Na S, Pan S, Cao Z, Qiu J. Minimal Scar Dissection for Partial Parotidectomy via a Modified Cosmetic Incision and an Advanced Wound Closure Method. J Oral Maxillofac Surg. 2019 Jun;77(6):1317.e1-1317.e9. doi: 10.1016/j.joms.2019.02.036. Epub 2019 Mar 2. Retraction in: J Oral Maxillofac Surg. 2022 May;80(5):967. PMID: 30922883.

Fonte: Khafif A, Niddal A, Azoulay O, Holostenco V, Masalha M. Parotidectomy via Individualized Mini-Blair Incision. ORL J Otorhinolaryngol Relat Spec. 2020;82(3):121-129. doi: 10.1159/000505192. Epub 2020 Feb 25. PMID: 32097928.
7- A produção de saliva fica prejudicada após a cirurgia?
As demais glândulas que ficam conseguem suprir a necessidade do corpo, produzindo saliva suficiente para que o paciente não fique prejudicado. Lembrando que nos casos de tumores com dimensões pequenas, a glândula não é totalmente retirada, mas apenas o tumor e uma margem de segurança ao redor.
8- Como é a recuperação no pós operatório de parotidectomia?
Na maioria dos casos de tumores iniciais de parótida, o paciente consegue recuperar-se rapidamente e retornar às suas atividades normais diárias em cerca de duas semanas sem dificuldades.
9- Preciso fazer radioterapia após a cirurgia?
Em casos de tumores malignos, não são todos que necessitam de radioterapia. Deve ser avaliado o caso individualmente levando em consideração o subtipo do tumor bem como as chances de volta da doença. Tal avaliação costuma ser feita com o cirurgião de cabeça e pescoço, oncologia clínica e radioterapia de forma multidisciplinar.




